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Ismael, o griô

82 anos, 43 filhos, com muita história de vida e da Serra da Bodoquena pra contar



(Texto: Loraine França e Edson Silva/Foto: Edson Silva)


No casebre de madeira onde vive, sentado no rabo de um fogão a lenha que arde no preparo do almoço, que seo Ismael Joaquim da Silva fala sobre sua vida. No auge das mais de oito décadas, o homem negro de cabelo e barba grisalhos, pés descalços e mãos fortes, relembra com lucidez o dia em que chegou ao distrito de Campão, hoje, município de Bodoquena. Ele, o pai e um grupo de colonos abriram caminho por entre a mata densa ‘no braço’, como se diz na linguagem popular local. Nascido em Lins, interior de São Paulo, pisou em terras mato-grossenses aos 12 anos de idade. Ismael-menino acabou ficando sozinho quando o pai foi embora e não mais voltou. Depois disso, cresceu solitário entre os morros da Serra. Plantou. Colheu. Amou. Relata que teve sete companheiras e 43 filhos ― 15 deles com a primeira mulher, 20 'com outra' e seis com uma terceira ― , mas que nunca casou, apenas 'amigou', e gosta de viver sozinho. A história de Ismael é a narrativa de um homem que, ainda menino, renasceu e enfrentou a vida e a solidão na Bodoquena, a 'nascente no alto da serra'. O relato de Ismael faz parte do projeto “De frente para a América do Sul: um olhar biográfico sobre assentamentos humanos sul-americanos na perspectiva dos direitos humanos fundamentais”, desenvolvido no âmbito do Griot – Laboratório de Investigação em Jornalismo. Em breve, essa e outras histórias serão contadas com mais detalhes.


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