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Riscos tradicionais

Massacrados pelo descaso do poder público, indígenas, ribeirinhos, quilombolas e trabalhadores rurais assentados correm perigo com avanço da covid-19


O Griot desenvolve pesquisa em quatro assentamentos humanos de Mato Grosso do Sul: indígenas, trabalhadores rurais assentados, ribeirinhos e quilombolas. Na foto, da esquerda para a direita Benilda Kadiwéu (Reserva Indígena Kadiwéu); Darci Mancoelho (Assentamento Rural Canaã/Serra da Bodoquena/Bodoquena-MS); Júlia Gonzáles (APA Baía Negra/Ladário-MS); Ismael Gonçalves (Morraria/Serra da Bodoquena/Bodoquena-MS). Foto: Arquivo/GRIOT

 

O novo coronavírus, que já matou mais de 16 mil pessoas no Brasil, escancara o modo violento como o país trata o seu povo. Revela que a disseminação do novo coronavírus é ainda mais agressiva onde direitos como a saúde não chegam. A disseminação da covid-19 no Brasil ameaça as comunidades tradicionais que são fortemente impactadas com a chegada do vírus.

Violações estas observadas pelo Laboratório Griot, que pesquisa quatro assentamentos humanos em Mato Grosso do Sul. Entre os Kadiwéu, população indígena localizada na Serra da Bodoquena, em Porto Murtinho, há muito se luta para garantir direito à saúde para as seis aldeias localizadas nesse território. Com difícil acesso à cidade, lideranças relatam a dificuldade em se conseguir atendimento de emergência e ambulância para os indígenas.

Batalha também enfrentada a mais de 200 quilômetros dali, no pantanal de Mato Grosso do Sul. Ribeirinhos da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, localizada no município de Ladário, não contam com apoio do poder público para evitar a disseminação da covid-19 entre as 22 famílias que moram no local. A articulação para que a doença não avance vem de dentro da própria comunidade.

“Massacre anunciado”

O coronavírus atinge, atualmente, 40 povos indígenas no Brasil e já causou 102 mortes entre essa população segundo dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O inimigo invisível chegou a Mato Grosso do Sul, que tem mais de 71 mil indígenas, a segunda maior população do país.

A covid-19 foi confirmada na última semana na aldeia Bororó, localizada na Reserva Indígena de Dourados. Vizinha a outra aldeia, a Jaguapiru, juntas totalizam quase 18 mil indígenas, população maior do que a de 44 municípios de Mato Grosso do Sul.

Em carta divulgada nesta semana pela APIB, os conselhos Guarani e Kaiowá, que em Mato Grosso do Sul são mais de 51 mil indígenas, divulgaram a confirmação de mais 10 casos positivos da covid-19 na Reserva Indígena de Dourados. No documento, os conselhos relatam que os indígenas se encontram “diante de mais um massacre anunciado”.

Lideranças da aldeia Bororó relataram a falta de máscaras aos indígenas, considerando que muitos acessam a cidade de Dourados e estão sem o Equipamento de Proteção Individual (EPI). O cacique, Gaudencio Benites, falou sobre a preocupação com mortes que possam ocorrer e a falta de vagas no cemitério para enterrar as vítimas do novo coronavírus.

O Griot acompanha comunidades tradicionais sul-mato-grossenses e de outros estados brasileiros e enfatiza a importância da garantia dos direitos fundamentais dessas populações, consideradas fundamentais para a preservação da vida, do meio ambiente, da história e da cultura do nosso país. (Loraine França e Edson Silva)

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